30 de novembro de 2008

Até breve


(Jake Baddeley - The journey)

Ensaio, há dias, o que escrevo hoje. Posts mentais. Muitos.
E, no fim, o resultado fica sempre diferente.
O Giramundo há (muitos) anos faz parte do meu cotidiano. Mas, já não tenho o mesmo fôlego de antes.
Bastante coisa aconteceu nesse meio tempo e eu adiei este momento até onde pude.
Por amor.
Mas a vida é cheia de imprevisibilidades mágicas.
E não há amor maior, para mim, do que essa minha vontade, quase lasciva de mudar e de descobrir coisas novas que sacudam minhas certezas.
Eu sinto isso de uma forma escandalosamente minha.
É como se cada pedaço meu gritasse, silenciosamente, que está fora do lugar, e precisa, urgente, se aconchegar de novo.
Então... finalizo o Giramundo pensando em outras novas possibilidades.
Me despeço, certa de que logo vamos nos encontrar.
Porque, você sabe, esse mundo é mágico e o universo, um deus brincalhão e bailarino.

Obrigada pela companhia, pelo afeto e por me fazer pensar.

Lidiane

P.S. Meu email: lidiane_britto@hotmail.com
P.s.2. Carol, há anos você está aqui e eu queria agradecer, especialmente, o carinho quase anônimo, já que não tem blog e não sei como entrar em contato.

13 de novembro de 2008


(Imagem de Alê Abreu)
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O texto abaixo é grandinho. Eu sei.
Mas, eu gosto tanto dele. Tanto, sabe?
Escrevi há algum tempo e, sinceramente, nele existe o que há de melhor em mim.
Toda vez que o leio (e há tempos não fazia isso), eu penso no desperdício que é falar de coisas sérias em salas de 120 adultos.
Eu gostaria mesmo de mostrar para eles que a vida é muito, muito mais que normas, procedimentos e dinheiro. Que a vida é mágica, apaixonante e com matizes de poesia.
A questão é que, às vezes, eu mesma esqueço disso tudo e só me olho por fora. Não gosto do que vejo e fico como estou agora.
Então, uso meu lembrador e entendo que há mais, muito mais em mim, em você e neste universo bailarino, do que conseguimos enxergar.
Muito mais, meu amigo.
Muito mais.
..
O lembrador

Eu ainda era pequena quando a conheci. A primeira impressão foi medo. Fechei os olhos chorando baixinho e abracei as pernas do meu pai com força. Queria ir para casa, sair dali. Queria minha mãe, minha cama.
Ela riu. Riu alto e disse que as pernas do meu pai iriam virar um tronco de árvore se eu continuasse a regar com tanta lágrima.
Fiquei pensando se era verdade e abri os olhos. Elas ainda não tinham virado nada. O azul da calça jeans era o mesmo e os sapatos dele não tinham se transformado em raízes. Fiquei curiosa. Seria verdade? Continuava agarrada, mas já conseguia olhá-la.
Tudo começou quando papai, naquela manhã, disse que iríamos conhecer uma velha amiga sua e no meu ouvido, longe da mamãe, confessou que ela era uma bruxa. Não disse mais nada, só me pegou pela mão e saímos.
Fiquei muda todo o trajeto. Hoje, já bem grande, ainda reajo assim quando estou pensando. Emudeço.
Imaginava, em silêncio, como deveria ser uma bruxa. Velha, com uma verruga na ponta do nariz e unhas grandes.
Já estávamos lá e papai me fez largar suas pernas e cumprimentá-la.
Fui, mas ainda não muito certa de que devia. A bruxa se ajoelhou, me estendeu as duas mãos e disse:
- Muito prazer senhorita, eu sou Mirella, mas como eu vejo que você é bonita por dentro e por fora, pode me chamar de Mira.
Eu entreguei apenas uma mãozinha, não queria dar as duas. Ela colocou entre as suas e disse que estava sentindo meu coração bater e que ele era bom, por isso, iria me contar um segredo.
Enquanto ela foi à cozinha nos trazer um lanche, sentamos, eu e o papai no chão. Havia um tapete branco muito peludo na sala e algumas almofadas grandes.
Me acomodei bem no meio das pernas esticadas dele e esperei. Papai me abraçou e disse baixinho que Mira era uma pessoa encantada e que eu prestasse atenção em tudo que ela falasse. Arregalei os olhos e perguntei se não tinha perigo, já que ela era um bruxa. Ele apenas riu e disse que ao contrário do que dizem, as bruxas são pessoas sábias e generosas. Pediu para que eu observasse como ela era alegre e que eu olhasse bem para seus pequenos olhos brilhantes como bolas de gude. Sussurou que os olhos de Mira eram mágicos e que os cabelos cacheados, quando estavam no sol, tinham cor de chocolate.
Nesse momento, ela voltou com uma bandeja colorida e nos serviu. Só então vi suas unhas curtas e as mãos delicadas. Pareciam de menina.
Mira perguntou se eu já conhecia o "lembrador". Disse que havia ensinado ao meu pai e que como eu era bonita por dentro e tinha o coração bom, poderia aprender a usá-lo também.
Naquele exato momento entendi que estava ganhando um presente, então levantei e a beijei no rosto. Senti um cheiro doce vindo do seu cabelo, mas fiquei com vergonha de comentar.
Quando me sentei, perguntei como ela podia saber quando uma pessoa é bonita por dentro.
Muito séria, pediu pra que eu fechasse os olhos e imaginasse meu pai sorrindo. Foi fácil. Na minha cabecinha, ele estava dando uma daquelas risadas altas e gostosas.
Então me explicou que, para conhecer se alguém é bonito por dentro, tem de se imaginar a pessoa sorrindo e que quando mais largo o sorriso, mais bonita por dentro a pessoa é e, por isso tem o coração bom.
Mira me deitou no meio do tapete e perguntou novamente se eu conhecia o lembrador.
Não conhecia e achei engraçado o nome, imaginando como seria. Um botão? Um capacete cheio de fios? Estava curiosa novamente.
Devagar apontou para o meio da minha barriga e falou que aquele era o nosso lembrador. Toda vez que a gente esquece alguma coisa, aperta o umbigo (com cuidado) e a memória vai aos poucos voltando, voltando...
Disse que eu podia usá-lo na escola. Se esquecesse alguma coisa na
hora da prova, era só fechar olhos e apertar o umbigo. Mas me advertiu que eu tinha de estudar antes, senão não adiantaria nada. O lembrador só faz a gente lembrar do que já sabe, viu ou estudou.
Por alguns instantes eu apertei meu umbigo e não conseguia lembrar de muitas coisas que queria. Reclamei com a Mira e ela disse que era assim mesmo. No começo o lembrador pode falhar por estar sujo ou enferrujado. É só lavar todos os dias na hora do banho. E... quanto mais sabonete e espuma, mais ele fica potente.
Muito tempo se passou desde esse dia. Voltei à casa da minha querida bruxa muitas vezes. Mira me ensinou que existe um mundo além desse em que vivemos e, nele, tudo é possível. Também aprendi com ela a ouvir os animais, a conversar com as plantas e a sentir o que o vento quer dizer quando está soprando.
Mira foi embora para o seu mundo e hoje é a data do seu aniversário. Estou com muitas saudades, por isso deitei na cama, fechei os olhos e apertei o meu lembrador. Não o usava há tanto tempo que fiquei com medo de estar sujinho e enferrujado, mas para minha surpresa, funcionou. Consegui vê-la sorrindo com tanta alegria que também fiquei feliz. Aos poucos fui lembrando de coisas boas da minha vida. Do cheiro de suco e do lanche na hora do recreio na escola, dos meus amigos distantes, da comida da minha mãe e do colo do meu pai.
Por fim, lembrei que, apesar de já estar grande e ficando velhinha, eu ainda sei ver como as pessoas são bonitas por dentro, mesmo que não sejam bonitas por fora.

Lidiane

9 de novembro de 2008


(Imagem de Carlos Zéfiro)


Por ser um paradoxo, pergunto-me, quando durmo e antes de acordar, o por quê dessas minhas certezas abaláveis. O por quê dessas minhas vontades escondidas nesse tanto de imensidão que eu sou.
E antes da resposta, vem sempre outra pergunta.
Sempre.


2 de novembro de 2008


(Tarsila do Amaral, Operários)


Já que eu não tenho conseguido escrever nada, além de longos e chatos posts mentais, fico com os tópicos. Curtos, objetivos e, na maioria das vezes, sem sentido.
Perdoem o mau jeito, mas há dias em que é necessário ir além do que não se conhece. Além do que se vê, e aquém do que se pode.
Quem disse que a vida é retilínea?

- Noite de pesadelo. Acordei cheia de saudades. Não há como colocar fogo nelas, então, o melhor é agradecer os dias que não aconteceram. E às decisões dificeis e certeiras.

- Não consigo me encaixar na cadeira nova do computador. É uma belezura, mas não tem escrito "conforto" nela.

- Comprei mais Monteiro Lobato. É verdade, amo sem parar.

- Big Brother no trabalho. Perguntei se Orwell iria nos fazer uma visita fantasma e ninguém entendeu. Dureza!

- Vontade de dirigir em uma estrada vazia e reta. Mas... não existe estrada vazia em São Paulo.

- O modelo educacional está cada vez mais taylorista. E eu estou começando a ficar impertinente.

- Montes de trabalho. Crudelíssimo isso de não ter final de semana. Pois vou criar os meus. E, pronto.

- Sim, eu sou guiada por hormônios. A sorte é que ainda conservo um certo "brio".

- Cheia de filmes em casa. TV Pirata incluída. Pergunte se vi alguma coisa...

- Fraqueza de caráter é de dar dó. Cresci acreditando que no mundo existem pessoas fortes, boas e bem humoradas. Ainda acredito. Apesar de.

- Picolé de milho verde. Amo!

- 1 mês e 21 dias para as férias. Contagem regressiva.

- A Piauí de novembro chegou. Como assim? Nem terminei a de outubro...

- Vontade de ir no Gopala Prasada. De novo. Melhor comida indiana de São Paulo. Delícia!

- Ele me fez ler o livro quando fazia faculdade (sim, há muitos anos) e assisti ao filme esses dias com ela. Embora o livro tenha me marcado, pensei que não fosse gostar do filme. Ledo engano.
Foi meio chocante ver São Paulo daquele jeito e em seguida, sair na lindeza de uma Paulista iluminada à noite. Recomendação minha, dele e dela: vá ver Ensaio sobre a Cegueira.

- Novamente os dois. Pois é, ele e ela gostavam muito mais que eu. Muito mais. Depois de "A Natureza Selvagem", confesso, estou apaixonada pelo Pearl Jam. Mais que ele e ela. Juntos.

- Dodinha pra ler alguma coisa que me sacuda. Tenho achado (quase) tudo tão pão-com-ovo...

UPDATE: Vendo *agora* uma entrevista com David Lynch no Roda Viva. Literatura, sonhos, cinema, abstrações e meditação transcendental. Preciso dizer mais nada, né?



23 de outubro de 2008


(Klimt)

Não, não é preguiça. É exaustão.
Pura, óbvia e em estágio avançado.
Acordo antes de todo mundo, volto quando o dia está quase começando de novo.
Horários estranhos, eu sei. Mas em São Paulo tudo é longe. Meu pertinho mais perto fica a 40 minutos de casa.
E, apesar disso tudo, ontem, à meia noite, atravessava a 23 de maio pensando em como a cidade fica linda iluminada. Beleza concreta, como a poesia que quase já não se faz.
Então eu aceito que preciso dar um jeito de descansar. Não apenas o corpo.
E badalar não adianta, porque acredite, foram três vezes (três divertidas vezes) na semana passada. E eu só fiquei ainda mais convicta de que sou de uma esquisitice morna.
Morna como a água do banho descendo por minhas costas, morno como o chá de camomila na xícara da Mafalda. Morna como a sua língua e como o travesseiro que recebe meu rosto em um dia frio de São Paulo. Morno. Morna. E eu gosto dessa sensação em meu corpo.
Água morna, comida morna, a lembrança de seu pé morno, encostando no meu, de madrugada, pedindo, silenciosamente, aconchego morno e acolhedor.
É verdade... anos de terapia e descobri, finalmente, que posso ser deliciosamente acolhedora. Porções escondidas atrás do espelho de uma (quase) imaculada devassidão.
Maria Madalena escondida em um corpo que me aprisiona.
E eu penso em você.
Em mim. E em Dante.
Porque nem de longe (e nem de perto) sou Beatriz.
Nem meretriz. Ainda que eu me venda, todo dia, todo santo e milagroso dia, pelo pão e pelo livro.
Além de conforto, sabe o que eu quero?
Revolução.
Uma revolução silenciosa dentro e fora de mim.
Beber de mentes que borbulham idéias.
Saborear, bem devagar, atos que me inspirem paixão.
Lamber quem se apaixone por mim.
E dormir. Dormir sem a preocupação de ser o que não sou.
Porque é bom, muito bom, descobrir, ainda que lentamente, que estou me transformando em alguém que eu sempre imaginei existir.



15 de outubro de 2008


(Carlos Ferreyra)


Segunda vez de conselhos estelares em menos de uma semana.
Conselheira mandou me divertir.
Então eu fui.

Dei cano no dentista.
Tortura demais apertar aparelho hoje.
Mereço paz numa folga.

Falar em folga, imagine um lugar que não combina comigo.
Imaginou?
Pois é, eu estava lá.
Um bar bacanudo,
em frente à Bolsa de Valores, e que toca s.a.m.b.a.
Samba, você leu direito.
Sabe aquela sensação de deslocamento?
Eu não senti. Ou pelo menos, dessa vez, não foi incômoda.
Estarei eu entrando em uma nova fase ou foi só efeito do chope que eu nunca tomo?

Terminei de reler O Fogo Interior.
Livros de Castaneda são sempre (muito) especiais pra mim.
Indicação "gaudéria", claro.
Mesmo depois de tantos anos, ainda sou grata por isso.
Um dia, eu agradeço. Um dia...

Domingo foi especial.
Dia das crianças em um orfanato e com amigos de outro mundo.
Nos perdemos três vezes. Acabei com uma das calotas do possante, comi a melhor empada do mundo e de verdade, resolvi que ano que vem, estarei lá de novo.

Comprei um John Fante. Tenho lido coisas boas. E, estudado menos. Perigoso, eu sei.

Adoro a Starbucks.

Meu cabelo está, finalmente, crescendo.

Calor (muito calor) em São Paulo. Acho que vai chover. De novo.

Hoje é dia dos professores. Ganhei uma torta de alho poró. E tomei sorvete.

Estou aproveitando uns (poucos) dias de folga para não fazer (quase) nada. Há tempos não durmo à tarde. Até sonhei. Sonho esquisito, aliás.

Definitivamente, adoro o sotaque carioca.

Amanhã a vida boa termina. Então, com licença, vou ali assistir a um filminho.

5 de outubro de 2008


(Paul Klee)

Dai, amiga querida.
Estou um dia atrasada. Eu sei.
Mas, perdoe a moça relapsa daqui.
Você sabe, tenho certeza de que sabe, meu carinho é muito. E o atraso não foi falta dele.

Feliz Aniversário, viu?
Com o adendo de que todo dia é dia de comemorar.
E que você merece alegrias a cada segundo de cada momento na vida.
Obrigada por tudo, viu?
Mesmo, mesmo!


Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

(Hilda Hilst)


27 de setembro de 2008


(Clique na tirinha para ampliar e aqui para ver mais)



Não pára de chover em São Paulo.
Vou comprar galochas amarelas.
Decidido.


Aí que eu troquei de manicure.
- Onde você trabalha? Ela pergunta, querendo ser simpática.
- Cada hora, vou para um lugar diferente. Hoje pela manhã estava em Pinheiros, daqui a pouquinho vou para o Tatuapé.
- Ué, então você não é a-f-e-t-i-v-a?
- Sou. Levanto e dou um abraço nela. - Sou muito afetiva, sabe? Falo, fazendo cara de querida.
Mudez total no salão.
Pois é... Minha fama de séria está, finalmente, dando lugar à fama de maluca.

Radial Leste. Sexta-feira. Meio da tarde.
Cinco pistas (estreitas) de ida, cinco de volta.
Frio, muito frio. E eu suando na direção.
Olhei para os lados e vi de tudo. Ônibus fora da faixa, caminhões de todos os tamanhos, carros
buzinando e (milhares) de motos vindo de não-sei-onde.
Juro. Acho que vi até um disco-voador.
Sinceramente?
Do jeito que a coisa vai, talvez essa seja a única coisa que falta no trânsito de São Paulo.
A única.


Sacrifício deixar o cabelo crescer.
Sacrifício!

E nem quero tão comprido assim. Só o suficiente para ele balançar um pouquinho.
Haja paciência, viu?
Haja.

Nove e meia da noite. Segundo semestre de ADM.
- Professora.
- Oi, diga.
- Estou com problema
s na minha equipe. Não está dando muito certo, sabe?
- Vocês estão com dificuldade para entender o trabalho, é? E começo a explicar os passos de novo.
- Não, não, não, professora. Diz a mocinha, interrompendo a explicação.
- É que a gente precisava eleger um líder de equipe, né?
- É.
- Então me elegeram.
- Que bom, parabéns!
- Mas eu não quero, sabe? Só tem gente preguiçosa na minha equipe.
- Então aja como uma líder.
- O problema é esse, professora. Ninguém me ouve. Acho que eu não tenho
a-l-t-i-t-u-d-e!

Novidade: virei a vizinha reclamenta.
Imagine você que abriram um bar aqui do lado.
Música alta (e muito ruim) o fim de semana todinho.
Todo mundo bravo, mas sem coragem de ir lá.
Quem foi, adivinha?
Não adiantou muito.
Dia seguinte, eles receberam uma intimaçãozinha da Prefeitura.
Sabe o meu medo? As mães daqui começarem a ameaçar os filhos:
- Come tudo, senão a Lidiane vem te pegar.
:P

Sonhos estranhos. Muito estranhos.
E recorrentes.
Precisarei eu de mais cama para consertar isso?
Nhé!


(Tirinha daqui)



9 de setembro de 2008


(Klimt)

Foi pouco tempo, eu sei. Sabemos ambos. E, não é desmerecendo seu coração, mas o meu é grande. Cabem sentimentos que talvez você nunca sinta.
Talvez.
Acho também que, no fim, disse tudo o que deveria. E o que não deveria. Porque eu sou assim, você sabe. Visceral.
Sobrou pouca coisa daqueles dias. Quase nada.
Canetas que não uso, pensamentos que não quero, raiva embaixo de uma pele que, mais embaixo, é toda amor. Porque você não pôde, e acredite, ninguém poderá tirar o amor que há em mim. Amor pelo mistério mais puro e simples de viver. Esse, que você não conhece.
Faz tempo, eu sei.
E você dizia que eu escrevia coisas lindas, coisas lindas que não eram pra você.
Nunca foram pra você. Porque pra você não eram palavras. Elas faltavam. Meus olhos é que diziam. Mas é inocência pedir a alguém que não saber ler nem a si mesmo, que enxergue nos olhos do outro. E eu não passo de uma menina inocente.
Está chovendo.
Dias assim, úmidos e frios me lembram aqueles dias úmidos e frios. Coisas boas, coisas muito ruins.
E me ocorreu que você, com toda a sua loucura artificial, ainda não tenha tido dias de loucura pura e simples. Aditivada apenas pelo afã de respirar mais ar do que cabe em seu corpo.
Assim é a minha loucura.
Isso, você sabe.
E não é pelo gozo, não é pelo riso ou por esse ou aquele livro. Não é por outra coisa, a não ser pela música, que lembro de seus olhos olhando os meus.
É pela música.
A música do gozo, do riso e do livro. A música que tocava no carro rumo a lugar nenhum. A música daquele céu da poesia de Yeats.
E foi pela música que, hoje, depois de tanto tempo, lembrei de você.
A música de um filme que nunca veremos juntos, mas que quando você ouvir, eu sei, lembrará de mim.
Porque, por pouco tempo, por muito pouco tempo, foi a música que nos uniu.
E foi por amor à música, pelo amor à música que há em mim, que eu fui embora.



27 de agosto de 2008


(Clique para ampliar - tirinha daqui)


Dias um pouquinho menos enlouquecedores mais calmos.

Um pouquinho só.

Mas já dá uma aliviada.
Semana que vem promete ser de correria insana. Então, oremos irmãos descansemos enquanto dá.


Dentista marcado. De novo!
Não vejo a hora de tirar esse aparelho.
Mas, ainda vai demorar um tiquinho.

Agüentando firme. Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!


Às segundas, sempre volto do trabalho, bemmmmmmmm tarde, com uma amiga.
Foi engraçado o comentário dela (em tom de desabafo). Muito embora eu já tivesse pensando sobre isso, é interessante ouvir de outra pessoa.
- Tem gente que vê a gente sempre brincando e não faz idéia de como, às vezes, estamos por dentro. Já reparou como as pessoas mais irritadinhas acham que só elas têm problemas? Ou que, os problemas que elas têm são os maiores do mundo?

Nem respondi. Porque, sim. Já reparei. Houve um tempo que isso me incomodava, confesso. Hoje... não mais.
Mesmo.

Deixa pra lá, né? Cada um sabe da sua vida. É preciso
(realmente) respeitar o jeito do outro. Que não é melhor, nem pior que o seu. Apenas não é o seu.
E tem toda aquela "teoria do espelho invertido".
Se alguma coisa em alguém irrita você a um ponto insuportável, olhe bem pra dentro. Vai ver, é a sua sombra querendo atenção.

- Pois é!


P.S. Tem post novo no Delicatessen. Ele está todo azulzinho, já foi lá ver?


21 de agosto de 2008


(Egon Schiele)

O que eu quero?


Quero que você me veja de relance nas ruas onde nunca estive. Que me procure nos olhos do desconhecido. Que ame a minha loucura. Que delire em minha sanidade.

Quero que, no final da noite, você abrace um cometa e sonhe comigo galopando em seus versos.
Quero vê-lo febril, ébrio, apoteótico.
Quero que grite, que esbraveje e só então, que me decifre,
e depois...

que me devore.


20 de agosto de 2008


(Lírios, de Van Gogh)


Família, né?
Morro de rir. Quando não choro de raiva.

Minha mãe, com 73 anos, está tendo aulas de computação.
Por aqui, já virou lenda-urbana. Só não é mais comédia que meu tio de 80 anos.
Que faz pós-graduação.
Em filosofia.
PELA INTERNET!

Falar na minha mãe...
- Por que esse bonequinho está falando e se mexendo?
- Que bonequinho?
- Esse aqui ó. E coloca o dedão no meu monitor limpinho.
- É a ajuda do programa, mãe.
- Será que eu preciso repetir que eu não preciso de ajuda? Tira esse boneco daí, já! Ninguém mais me respeita...Quando você nasceu eu já era adulta, sabia?
E sai resmungando pela casa.

Aí eu ouço o telefone da minha irmã vibrar.
- Nadi, o telefone.
- Quê?
- Seu telefone!
Nisso, minha mãe fala lá de dentro:
- Que absurdo! Ainda não decorou o telefone da própria irmã! Anota aí: 9672...

- Lidi.
- An?
- Esse bonequinho apareceu de novo.
- Aperta no X que ele some.
5 minutos depois, ela chama minha irmã.
- É que já gastei o X do teclado e o bonequinho continua aqui.
- Mãe, não é o X do teclado. Diz minha irmã quase gargalhando. É este aqui. E aponta.
- Essa Lidiane também, viu? Não explica nada direito...

Mereço, né?
:P


14 de agosto de 2008


Eu só queria dizer, que apesar de tudo, apesar de tudo mesmo, eu *realmente* acredito que há um mundo mágico de possibilidades escondidas.
E que eu acredito em você.
Em mim.
E na sutileza desconsertante das respostas para perguntas que ainda não foram feitas.
Está tudo aí. Eu sinto. Mas ainda não compreendo.
Não sei se é uma questão de tempo.
Talvez seja apenas uma questão de aceitação.
Aceitação não daquilo que eu cegamente enxergo, mas daquilo que eu preciso aprender a "ver".


UPDATE:
Começou a Bienal Internacional do Livro em São Paulo. O mais engraçado é que todo mundo me pergunta se eu vou. Meio óbvio, né? Vou. Mas... ao contrário do "normal", a última coisa que faço lá é ficar comprando livros feito doida. Vou pelas palestras, para ver um ou outro autor que gosto e para visitar amigos expondo.
Livros, eu compro pela net ou então nas livrarias que gosto e tenho sossego. Entenda, é uma relação de afeto. Livros, árvores e bichos falam com a gente. Mas para isso, é preciso que a gente, antes, "fale" com eles. Só que, no meio da confusão e do barulho de uma Bienal, não dá.
Agora, com licença. Vou ali andar uns muitos
quilômetros. Sonhei (de novo) a noite inteira e preciso exorcizar meus demônios.





6 de agosto de 2008


Diego Rivera - Muchacha con girasoles


Todo dia outra.
Cada vez mais eu.



UPDATE:
Finalmente, depois de dias de busca pela casa, achei o DVD de "A Natureza Selvagem".
Sim, eu gostei. Aliás, gostar é pouco. Muito pouco.
Sem falar na trilha sonora. É para ouvir de joelhos.
Vou emprestar e, se der, comprar mais uma ou duas cópias.
Política minha. Tudo o que é bom deve ser compartilhado.
Porque a vida deveria ser assim. Dividir para somar.
Me acha estranha?
Pois é, você ainda não viu n.a.d.a!


3 de agosto de 2008


(Tio Patinhas, personagem do Walt Disney)


Você conhece alguém que achou dinheiro no Congresso Nacional?
Não?
Agora conhece.
Pois é.
Quarenta reais, em duas notas de vinte, assim, jogadas na escada pertinho da porta de saída.
Não dava para acreditar, então, olhamos para um lado. Depois para o outro. E ficamos ali, parados, feito bobos, sem saber o que fazer.
Vai que é pegadinha, né?
Imagina se filmaram e a gente aparece no Jornal Nacional no dia seguinte...
Definitivamente, não ia ser bom.
Mas, depois de um minuto, ninguém apareceu para cobrar.
E, sim. Fomos embora.
Eu, completamente aturdida. O mui-amigo, rindo do meu espanto.
O melhor de tudo: até agora não apareci na televisão e o dinheiro... virou milk-shake do Bob´s.
Pois é, pois é. Achado não é roubado.
Nhé!
:P

P.S. Tem post novo no Delicatessen.


29 de julho de 2008




(clique nas tirinhas para ampliá-las)


E as férias estão no final do final (do final).
Quase chorando por isso.
Normalmente eu fico com saudades do trabalho, mas agora... "no no no" (numa total vibe musical).
Falar nisso, tenho passado os dias em overdose de músicas, filmes e coisinhas gostosas.
É, eu sei, a vida é mais do que tardes mornas de lagartixa ao sol. Mas, realmente eu precisava. Muito mais do que qualquer um supõe.
E, férias são férias.

:P

Meu pára-raios de maluco continua funcionando.
Infelizmente.
Vá... pelo menos o riso é espontâneo.
Cada uma que me acontece que parece mentira.
Aliás, um monte de gente me pergunta se as historinhas daqui são de verdade.
Creia: são. Com um tempero onírico, claro. Porque, você sabe, minha imaginação é muito (muito) maior que meu conhecimento.

Gravando um CD agora pra ouvir no possante.
As melhores das melhores das melhores.
E vai ter cópia.
UMA cópia.
;)

Me perguntaram ontem o que li nas férias.
Juro, tentei. Mas li tanto, tanto, tanto no primeiro semestre (coisas chatas e por obrigação), que resolvi abandonar os livros por uns dias (senão, iria pirar).
Ainda assim, nesse meio tempo, fui apresentada a autores novos e isso é sempre uma delícia.
De qualquer forma, preferi, honestamente, me afundar em Peanuts e amenidades.
Decisão acertada. E divertida.

Cabelo crescendo.
Será que vou voltar a ter cachos de chocolate?

Como eu amo chá de cidreira.
Tão bom antes de dormir.
Tão bom!




25 de julho de 2008

.

(Diaz)


Voltei.

Cheinha de histórias na mala.

Vamos ver se crio coragem para contar algumas.

Até lá, fiquem com os nossos comercias.
:P


(clique na imagem para ampliá-la)

P.S. Beijo de super-super-obrigada no menino mais meigo do mundo.

P.S.2. Quem ainda não viu Cavaleiro das Trevas, vá. E logo.

11 de julho de 2008

.

On the road.



4 de julho de 2008


(Magritte)


Férias, enfim.
Quero mais é ficar com os pés pra cima neste comecinho de mês.
Preciso.

Mereço.

**
E a louca da linha verde ataca novamente. Hoje tive uma crise de riso enquanto lia, no metrô, a Piauí de julho. Engasguei de tanto rir. Juro.
A senhorinha que estava do meu lado até mudou de lugar.
Se ela soubesse o que tocava no meu fone, rá rá, eu seria exorcizada.

Certeza! :)
**
Pior foi o moço que, na volta, cismou comigo:
- Oi. Tudo bem?
E eu tiro os fones do ouvido.
- Oi. Tudo.
- Posso fazer um comentário?
Fiquei na dúvida em dizer sim. Vai que o cara é vendedor da Herba Life, né? Morro!
Mas, mamãe me deu educação, então:
- Pode, sim.
Ele fita meus pés e diz:

- É que gosto tanto desse negócio de vocês mulheres sairem de casa arrumadas, mas de tênis e carregando o sapato de salto em uma sacolinha.
- Gosta, é? Faço cara de boa moça.
- A.d.o.r.o
Eu olho pro meu All Star preto, sujo, como convém a alguém de férias e digo, querendo rir:
- Eu nem tenho sacolinha, moço.
- Mas tem uma bolsa grande.
- Mas na bolsa não tem salto. Só livro. E balinha. Aproveito para oferecer Halls preta.
Ele aceita.
- Então você vai trabalhar assim? De tênis?
- É.
- Mais legal ainda. Você tem estilo.

- Não é estilo, não. É que tenho joanete, sabe? Minto, fazendo minha melhor cara de coitada.
- Quer ver? Ameaço toda contentinha, quase tirando o tênis.
- Não, já vou descer. Prazer, viu? Levanta, espera a porta abrir e, claro, some.
Termino o percurso quase gargalhando (de novo) e com a certeza de que o pobrezinho desceu na estação errada.
Quem manda atrapalhar minha música, né?
**
Pra não dizer que estou exagerando, hoje foi o dia...
Eu e os meus óculos de abelha andávamos pela Domingos de Morais, pertinho da Estação Ana Rosa, quando um mocinho dos seus 25 anos, terno e grava, me encara e passa.
Dá meia volta e me segue:
- Oi, você não lembra de mim?
Tiro os óculos, olho pra ele e digo:

- Lembro. E fico parada.
Ele, tadinho, perdeu o rebolado. Estava na cara que não me conhecia.
Então, diz desconsertado:
- Poxa, desculpa, foi engano. E vai embora.
Eu continuo meu caminho, rindo sozinha. De novo.
É por isso e por outras que concordo com quem diz que o melhor de São Paulo são os paulistanos.
Alguém tem dúvida?
Eu não.
:P

**
Falar nisso, uma doce e cândida constatação.
Quem dirige aqui, nesta cidade, dirige em qualquer buraco do mundo.
Sério mesmo, hoje suei.
Haja paciência e coragem. MUITA coragem.
Haja!

29 de junho de 2008


Contando os dias.
Quase, quase!





P.S. Post novo no Delicatessen.


UPDATE: Obrigada pelo banner, viu? E um xero ;)


16 de junho de 2008




Sábado me disseram que "mais de dois é multidão".
O melhor do mau-humor, né?
Porque tem gente que fica melhor assim. Chega a ser engraçado.

Não é o meu caso, evidente.
Então, deixa essa correria insana passar que volto às delicadezas cotidianas de que tanto gosto.
E com elas, voltam também as minhas visitas aos blogs amigos.
Por enquanto, vão desculpando, mas me escondo mesmo.
Ultimamente, só me dou ao luxo de aparecer no Twitter. Pelo menos, enquanto não virar Orkut. Porque você sabe, pago para ficar anônima. E não é charme, é questão de escolha.
Escolhi me preservar.

E, até agora, tem dado certo.

UPDATE:

Ganhei um CD (maravilhoso) de fado esses dias. Ouvindo agora, corrigindo coisas e mais coisas.
Vou aposentar meus CDs de ópera.
Já que é para "chorar" enquanto trabalho, fado combina mais.

O sujeito mais imbecil esquisito que eu conheço a-c-a-b-o-u de me chamar de esquisita.
Estou aqui pensando e querendo crer que foi um elogio.
Nhé!


11 de junho de 2008


(Jake Baddeley, Sophia)

Fim de semestre. Exaustão e decisões.
Porque sou de sim ou de não.
Não dá pra ser meio termo neste momento.
Então, hoje disse não. Com uma enorme, uma gigante, uma retumbante vontade de dizer mais.
De dizer o que penso.
Não disse. Melhor ser educada e deixar as portas abertas.
Porque a vida é mais do que estar certa.
E eu, sou (muito) mais do que um número.

Aliviada, enfim.

"Se é verdade que a elegância significa economia de força, segue-se então, como uma consequência lógica, que a prática constante de uma postura elegante deve trazer consigo uma reserva de força.
Boas maneiras, significam, portanto, poder em repouso".

Inazo Nitobe


25 de maio de 2008


.(Salvador Dali, O Sonho)


Estava deitado naquela posição há duas horas e não havia percebido o relógio girar. Notou que o teto do quarto parecia mais branco visto daquele jeito.
Já há algum tempo não sabia como se sentia exatamente. Suas reações oscilavam. Os pensamentos se perdiam entre um respirar e outro.
E o teto... cada vez mais branco. Sufocado de luz.
Devia estar trabalhando, mas não tinha vontade. Resolveria todo o resto depois. Preferia sentir o gosto das palavras no silêncio da noite e então começou a balbuciar. Fazia de cada sílaba uma cúmplice e as acariciava com a língua. Sorria a cada descoberta.
A boca abria e fechava para falar morna. Seu corpo estremecia. M-o-r-n-a. Era uma palavra bonita, aconchegante e injustiçada. Sentiu-se morno e teve vontade de amar. Mas estava sozinho.
Chovia e então se lembrou de tempestade. Comprida demais. Quando terminasse de falar, a tempestade já teria se acabado. Fúria era mais forte. Rápida e mortal. Não sabia o porquê, mas se sentia atraído pela fúria de alguém que não era ele e talvez nem existisse.
Do nada, volúpia apareceu. Cheia, intensa e de cantos arredondados. Soletrou para sentí-la melhor e a guardou. Talvez precisasse dela mais tarde.
Já era madrugada e, ainda olhando para o teto, percebeu que não conseguia definir tempo, mas sentia que o seu passava rápido demais.
Levantou, abriu a janela, deitou na cama e dormiu. Agora olhava para o seu teto interno e, em sono, ouviu o vento soprando a palavra sonho.

Lidiane


15 de maio de 2008

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(Escher)


No mundo maravilhoso que criei para viver enquanto durmo,
Monteiro Lobato me ensinou a falar.
Escher foi meu professor de matemática. Aprendi trigonometria construindo escadas mágicas.
Matisse, toda noite, me faz colorir a lua, enquanto cobre de borrões o meu céu de estrelas incandescentes.
Baudelaire sempre deixa flores no meu travesseiro ao sair, de mansinho, pela manhã.
Henry Miller me fez amar filosofia, como se ama uma deusa. E me ensinou a gozar.
Gozar da vida, da morte. E de amor.
Gaudi construiu a casa onde moro. A mesma que Dali decorou.
Lewis Carroll é meu jardineiro.
Babette minha cozinheira.
Lautrec me faz dançar.
Magritte vem toda quinta me contar histórias de um outro mundo.
Mozart toca baixo na minha banda.
Ian Anderson é o vocalista.
Nasci como Minerva.
Vivo por aí.
E da morte, não tenho notícias.



12 de maio de 2008

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Não acho, sinceramente, que eu seja otimista demais.
A humanidade é que tem humor de menos.


P.S. Post novo no Delicatessen.